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Você doa dízimo para a igreja todo mês e quer saber se pode abater no Imposto de Renda? A resposta é curta, mas a explicação completa envolve educação financeira, planejamento tributário e escolhas conscientes. Entenda agora.

Finanças Pessoais: Posso deduzir o dízimo no Imposto de Renda legalmente?

Se você faz questão de separar fielmente o dízimo todos os meses, provavelmente já se perguntou: “Será que posso incluir isso na minha declaração do Imposto de Renda e abater do imposto devido?”

É uma pergunta justa, afinal estamos falando de um valor que, somado ao longo do ano, pode representar uma quantia significativa. E, convenhamos, dentro da lei, todo mundo quer saber como reduzir imposto de renda legalmente, não é verdade?

Pois bem. Vou te dar a resposta direta primeiro e depois explicar os detalhes, porque educação financeira também é saber onde e como seu dinheiro pode — ou não — gerar benefícios fiscais.

A resposta é: não, o dízimo, bem como, aquelas doações na rua, no farol, não são dedutíveis do Imposto de Renda.

Não fui eu quem inventou essa regra. Segundo a Receita Federal,  doações para igreja no IR são consideradas “mera liberalidade” — ou seja, você doa por vontade própria, sem contrapartida do Estado. E esse tipo de doação simplesmente não está na lista das que podem ser abatidas do imposto.

Isso está explicito em diversos canais oficiais. A Agência Brasil, por exemplo, publicou uma matéria clara sobre o assunto: “dízimos pagos às igrejas não são passíveis de dedução por falta de previsão legal” . O UOL também reforça que, embora você possa informar os valores na declaração, eles não reduzem o imposto a pagar. As igrejas e templos de qualquer culto possuam imunidade tributária (não pagam impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços), mas isso não se estende automaticamente ao fiel como um benefício de dedução em sua declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).

Agora, calma. Não estou dizendo que você não deve declarar. Pelo contrário. Em nome da transparência e da boa educação financeira, é importante saber como declarar ofertas na igreja corretamente — mesmo que o valor não gere abatimento fiscal.


Mas então, quais doações realmente deduzem o IR?

Existe sim uma lista de doações que abatem do imposto, mas elas são bem específicas. Pela legislação brasileira, entram nessa lista os repasses feitos para:

  1. Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (os famosos fundos do ECA)
  2. Fundos dos Direitos da Pessoa Idosa
  3. Incentivo à Cultura (Lei Rouanet)
  4. Incentivo à Atividade Audiovisual
  5. Incentivo ao Esporte
  6. Programas de apoio à saúde (Pronon e Pronas/PCD)
  7. Incentivo à reciclagem 

Ou seja, o governo quer incentivar doações para causas sociais, culturais e ambientais — e por isso oferece o benefício fiscal. Para as igrejas e instituições religiosas, não há essa previsão legal.


E como fica o dízimo na declaração, então?

Se você não é obrigado a declarar, mas quer manter tudo organizado (e eu recomendo que faça isso por uma questão de controle financeiro pessoal), o procedimento é simples:

  • Você deve informar os valores na ficha “Doações Efetuadas”
  • Utilize o código 80 (Doações em Espécie)
  • Informe o CNPJ da sua igreja ou instituição religiosa 

Assim, tudo fica registrado. A Receita vai saber que aquele dinheiro saiu da sua conta, mas, repito, não vai reduzir o imposto que você precisa pagar.


Por que isso importa para sua saúde financeira?

Aqui entra um ponto fundamental de finanças pessoais que pouca gente considera: o planejamento tributário.

Se você quer ajudar causas sociais e, ao mesmo tempo, reduzir legalmente o imposto devido, pode considerar direcionar parte do seu imposto para os fundos permitidos. Isso é algo que muita gente não sabe.

Durante a declaração do IR, no modelo completo, você pode optar por doar diretamente na declaração até 3% do imposto devido para o fundo da criança e do adolescente e mais 3% para o fundo do idoso . E o mais legal: esse dinheiro não sai do seu bolso além do que você já pagaria de imposto — é apenas um redirecionamento do que seria pago ao governo.

Isso, sim, é educação financeira na juventude (e na vida adulta também): saber onde seu dinheiro pode fazer a diferença e ainda gerar vantagens fiscais.

Separar o dízimo é um ato de fé e generosidade. E isso tem um valor que vai muito além do que qualquer declaração de Imposto de Renda pode mensurar. Mas, do ponto de vista estritamente fiscal, essa doação não entra no rol das dedutíveis.

Por isso, minha sugestão é: continue contribuindo com sua comunidade de fé, se isso faz sentido para você. Mas, para fins de controle financeiro pessoal, saiba que esse valor não vai aliviar sua conta com o Leão.

Em vez disso, se você busca benefícios fiscais, considere direcionar parte do seu imposto devido para os fundos sociais e culturais autorizados. Assim, você ajuda quem precisa, ganha abatimento fiscal e ainda dorme com a consciência tranquila.

E lembre-se: o primeiro passo para uma vida financeira saudável não é só saber quanto você ganha e gasta, mas também entender para onde cada centavo está indo — e o que ele pode — ou não — fazer por você no final do ano.

Abraços,

Wellington Cruz

Especialista em Educação Financeira
Gerente Financeiro com mais de 20 anos de experiência